domingo, 11 de fevereiro de 2018

Antes que tudo vire gripe

E quando tudo vira gripe...
E noite é pra não sonhar
E gente é pra não ter!
Nem ter,
Nem dar.
A porta do patamar,
Pausada em palavreados onde
Todos nossos portos 
Estão privados
E, além disso, 
Não poder não secar,
Não implorar,
Explodir ou cagar.
Juntar com atrizes,
Arrancar varizes, 
Nadar pelos narizes,
Ir.
(...).
Gripe vira tudo
Quando na noite
Não dá pra sonhar,
Não ter pra gente,
Dar não tendo,
Duas coisas insolentes,
Ambas em movimento:
“Mulvi”.
Sempre em direção
Ao pequeno lago,
Sempre para ir para o fundo,
Pru fundo!
Na “fundura” de se prender,
E sabendo de tudo,
Contudo berrando mudo,
Por hoje acredito que
O melhor é
Ficar sem ar.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Compilação

Por três minutos uma palavra.
Portões onde aspiram pó.
Por "tátil" sentimento.
E?
(...)
Possivelmente esqueceram...
Poetas bons.
Bônus e ônus da glória,
O verso bandido,
Ou o abraçador das vontades,
Aquelas que desejam.
E?
(...)
Pintores e pianistas.
Nove alpinistas, estatísticas:
Desaparecidos.
Paquistão e Butão,
Cronistas, Cuba-libre
E "muchacha",
Postura radical e liberal,
Uma cascavel imaginária.
Uma moeda e um morteiro.
Bum...
Uma pequena fumaça voou.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Fósforo

Não impede de contar...
Tem um palito de fósforos,
Vai ascender,
Vai colocar
Um no quimba
Do outro,
Vai saber que ao acabar a fumaça,
Será um nada!
Um desses instigados,
E nada em volta
Tem fogo,
Não drogo,
Abandonado a beira do deserto,
Com uma patente
E nenhum combate,
E dará certo
Quando estiver doente,
Já deprimente
O antes envolvente
Adulto,
Ganhando indulto de Transão,
Mas lhe falta um isqueiro,
E não será feliz
Do tanto que era pra ser,
Vez ou outra se foder,
Ando mais em meio às perdas,
Visito pouco as Vitórias.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Retire

É dessa estranha droga,
De quando existe o saque,
Retire as cédulas.
(...).
Disso vem uma onda
Que tira minha memória,
Minha ação,
Todas as portas se oferecem,
E quero consumir,
E vou tendo
Este estágio de fora de si,
E apenas saberei o que aconteceu
Quando o último centavo sair
Do meu bolso comprando
Bala de abacaxi.
Dinheiro e tudo eu posso
Naquilo que eu tenho,
E imagino ter ele
Em minhas mãos
Cédula por cédula,
E do suor chega,
Desde quando existe o saque,
Retire as cédulas.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Amigo

O palhaço maior?
Sou...
Sou o que faz certo
E ainda está errado...
Sou um palhaço embriagado!
Junto com vocês
Sou um desses ludibriados
Que ajuda os babacas parados
E ainda sai criticado,
Violado,
Excomungado...
Esse grande palhaço...
Eu...
Você...
Escorraçados,
De cus rachados,
Fazendo o que foi passado,
Executando o que foi planejado,
E ainda com bom resultado
Somos tranquilamente
Chamados de desgraçados!
Nós?
Uns grandes palhaços!
O que eu faço: eu faço,
O que pede: eu faço,
Traço por traço,
Ajudo na manutenção
Da porra do universo,
Na revisão de doidos versos,
Ajudo na limpeza
Da bosta do infinito espaço,
Escuto
Muita 
Merda 
Depois.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

364 palavras, 50 erros, 2 minutos e 57 segundos.

Mas justo você
Vem me falar de coronhada!
Nunca levou uma
No meio da cabeça!
Não sabe como arde,
Como dói,
Como humilha,
E lembra!
A que eu levei
Foi a coronhada da lei,
Foi uma pancada fardada,
Pancada parda de farda,
Uma agonia
Que não tarda em se repetir!
Qualquer cão pode me ferir,
Basta ele entender
Que a minha cara,
Que a minha pele,
Que a minha forma de vida
É,
Por si só:
Um grande desacato.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Poemas ótimos

A boca abre para fazer guerra.
Seja no presente,
Seja um futuro conflito,
Ou algo reacionário,
Falar nos deixa mais otários,
Escrever pode piorar bem menos,
Afinal,
Não lemos o que temos,
A priori nem precisamos ouvir,
Falar até com certa razão,
Mesmo
Que talvez somente as plantas
Irão aplaudir.
Considera necessário falar,
Mas pode bem abdicar,
O silêncio tem feito
Poemas ótimos
E escritores que merecem
O prêmio Nobel.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Caguei

Ainda dizendo que
Gosta do amor?
Mente não!
Você traz da hipocrisia
Sua verdade,
Mas apenas vomita.
A única coisa que faz
É querer que nós
Rebaixemos
Pra seu roto sentimento!
Mais uma vez criticando
As pessoas pelo que elas são?
Faz isso não!
Senta no rabo,
Fica de boca fechada,
Sua moralidade é fachada,
Não vale uma palavra rimada,
Não vale um poema que rasguei!
Todo mundo viverá
Conforme bem entender!
Amor?
Você não sabe o que eu sei!
E para esse
Seu 
Nobre sentimento:
Caguei.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A delícia do amor

Quero uma cerveja
Em cima do boquete,
Quero um boquete
Em cima do pneu,
Quero uma roda
Em cima do muro,
Quero um cu
Com borda de catupiry,
Aceito a porra
Toda
Duas vezes
No cartão.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Mente sã, corpo são.

Mas você tá gato hein!
Você sabe que você
É
O deficiente físico
Mais lindo da Terra?
Minha intuição não erra,
Seremos você e eu!
Dois homens;
Dois pênis;
Três pernas!
Lembra-se de nossas
Tardes eternas?
Vamos fazer tudo!
Vamos jogar essa
Prótese pru ar!
Vamos nos amar!
Até quando você quiser!
Posso te ajudar como você quer...
Vamos ser dois namorados
E pronto!
Um amor no ponto!
Vem comigo hoje!
Que pra você garoto:
Faço o que puder!
Pra você!
Eu faço
O que
Você
Disser.
Você
Quer?
Vem andar
Junto d’eu. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

É o mundo

Essa cantiga mal
Cantada pelo vizinho
É o mundo.
E como está a harmonia
Do planeta?
Uma treta sinfônica!
E somos o único lugar
Que a capital não
Pode ser varrida do mapa!
Nem pelo o quê que ladra,
Nem pelo o quê que morde.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Fal'isso não

Não existe briga,
Porém rasgarei você,
Posso querer amaciar,
Mas não será uma sova,
Vou rasgar. Cortar, faca,
Bisturi,
E considera meus
Maus tratos
Como uma vacina,
Não vai mentir mais,
Não mentirás
Essas tiras de burrices,
Não vai fazer nas
Minhas costas.
Apostas?
Sem apostas,
Apenas
Ocultação de cadáver.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A decisão do acidente

 Dois senhores es-tão
Dentro de uma reflexão profunda
Que mudará seus modos de viver,
Mas para frente
Um carro virou sem seta
E jogou uma motoqueira de cara,
E os dois mudarão o assunto,
A família descuidada,
Os boys e bicicleteiros
Encontram fraturas a frente,
E na ordem da hierarquia
A polícia chegará,
Depois o corpo de bombeiros,
Depois hospital,
Segunda sina
De quem come asfalto,
IML ou alta,
Sem falta teremos
A decisão do acidente.
Se foi ou não foi fatal.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Incluir texto

Por que viver em constante
Contado com o que se sente?
Mais uma das trovas de amor
E outras das trevas!
Enfim...
Mal e bem só fazem sentido
Pra quem tem dedos de pinça,
E se algo enguiça:
O ser inventou a culpa
Pra isso ter lógica.
(...).
O charme de dia,
O chato de noite.
24hs são poucas convenções,
Mas estão, 
Existem
E é isso aí.
(...).
Cada dia que passa
Ficamos reféns dos minutos,
Dos versos
E de escrever sem densidade,
E sem densidade:
Vai sumindo
Como
Nada com nada,
Multiplicado vezes o fim de novo!
Igual ao tempo com a forma,
Dando resultado pronto,
E não é isso.
(...).
Tá ficando só...
A Terra.
Tá sem os sentimentos
Predominantes...
E foi tentado ter tristeza,
Mas não houve!
Foi pela alegria,
Mas não houve!
Foi pelo ficado
E não teve!
Fora tudo de lado,
E às vezes:
Queria chorar,
E não dava!
Tudo tá seco!
E o tempo se conjugou
Louco
Em futuro e passado
Que passam correndo
Pelo ponto de vista.
- nós tínhamos valor!
Foi o que um dia
Um senhor de barba
De qualquer cor 
Falou
E fez a multidão explodir!
E desde que lemos todos os livros,
Esperamos,
Com olhos de criança,
O apocalipse.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A depressão e seu clássico culto

Parecia um programa de rádio,
Mas eram verdades.
As portas mostravam
Um sol de fim de tarde
Com cara de depressão.
A tristeza implodia pessoas,
Cuidadosamente nossa
Amargura seria
O que poderia ser mais sério,
E remover os traços das mágoas
É um combate burro.
Pela janela:
Um céu vermelho
Ocupa o vazio dos humanos,
E enganos ainda os fazem viver
Sem cuidado algum,
O sorriso não nasce sozinho,
O calor é um frio
Onde falar “bom dia”
Cada vez é pior. 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Você é você.

Com muita droga na mão,
Gastando o dinheiro
Do meu holerite,
E sim,                   
Criando um sorriso artificial,
Sou feliz nesse mal
Que é esmiuçar como entrar
Totalmente
Em sua frágil mente
E apontar,
Dentro da sua vida o seu entorno,
Conforto e contorno
Da geografia da sua decadência,
Relevo e fronteiras,
Da lucidez pela beira,
Quando eu conto
Pra você
Quem é você,
Você grila comigo,
Porque eu abrigo
O saber sobre sua
Bendita vida!
É um tipo de autoajuda
Onde cada palavra dessas
Manda você ir se fuder.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Calado

Calado...

De peito forte,

Mostra que a sorte

Nos é dada,

A gente faz piada

De uma ajuda...

Antes geral

Ficasse muda.

Um fato apurado:

O fado e seu laudo de notas,

Por que tons tão sérios?

Porque de nosso corpo

Surgem minérios

Tão ricos,

Preciosos prazeres ariscos,

Compensa tamanho risco

Das vezes que os poetas

Atiçam multidões.

Somos hoje:

Verões - Dentro, 

Todavia de um inverno,

Vamos e voltamos modernos!

Não existe inferno aparente e

Existe medo resistente,

Fuga e vontade carente,

Fel de gente Crente-crente

Com as coisas,

A deriva nas fossas!

Quer ler e sorrir?

Morra de repente, ou

Na merda vá nadar!

O ego mata cada um como pode

Ou

Engorda-nos na

Conveniência do egoísmo!

Com lirismo?

Improviso insensato,

Um crítico fato,

Seu desnorteio nato:

Você não sabe ler;

Eu não sei ler;

E eu e Você? Não sabemos falar.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Começ’ano

O primeiro dia do ano.
O primeirim trem que tá na rua
É a barca da polícia,
E mais nada sobre
Esse desengano.
O primeiro dia do ano.
Tem uma rodoviária cheia,
Tem equipamento
De som mecânico
De primeira linha
Tocando música de bordel
Pra duas, três pessoas.
Tem gente bebendo,
Tem gente ganhando
E perdendo
E se perdendo
Em cada momento,
Com o corpo
Várias vezes
Violentado
Na sarjeta
E o travesseiro de pavimento, no
Primeiro dia do ano.
Primeiro dia do ano,
E muito conserto e muito dano,
Gente nascendo por querer
E gente morrendo por engano.
Cano queima pano,
Ou na faca,
Ou por acidente,
O IML transbordando,
E tudo isso no plano.
O primeiro dia do ânus?
No primeiro dia do ano,
Primeira vez faz anal,
Primeira vez faz oral,
Sexo com quem ama
E com quem não ama,
Sexo com pessoas sóbrias,
Sexo com pessoas drogadas,
Sexo com pessoas bêbadas,
Sem roupa ou
Com parte da roupa,
Levando na popa,
Já pelos becos,
Já nos movimentos,
Por ruas que não entendem
Os seres insanos,
Humanos profanos,
Em alegrias de tudo enquanto há,
Delito macro, delito nano,
A população que entenderá
Quando volta trabalhar,
Ou se terá onde trabalhar!
Os coletivos são poucos,
As portas fechadas,
Almoço com ressaca,
Horas de mais um voo
Do velho aeroplano,
Derrotas de um soberano,
Aterrizagem de um tirano,
Melhor ser leviano,
Todos os pecados
Secando o oceano,
Fulano e ciclano baiano
Fazendo rito cigano,
Inalando carbono
E cantando em soprano,
Arrancando pelo pubiano,
Desejando algo mediano,
Pular daqui 
E cair em Urano,
Todas as coisas
Em tudo que 
É urbano,
Nós! Em
O primeiro dia do ano.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Eu amo todos os escritores

Escritor de língua mansa
Vira cascavel do Butantã.
Tinha veneno,
Mas hoje serve só
Pra fazer analgésico,
E soro.
Escritor de língua mansa
Vira
Jiboia de playboy,
O rato vem na boca,
E ela sai do aquário
Para andar nos braços
De um monte
De cara prego,
Só com cara de bote.
Escritor de língua mansa
É píton de milionário,
Bicho que cresceu
Sem nunca ter caçado,
Sem sequer ter visto o mato!
Um animal domesticado
E com sono,
Acha que tem um trono,
Um predador nato
Em abandono,
Em reafirmada domesticação,
Um matador sem ação,
Com dentes, contudo sem reação,
Sem instinto de preservação,
Sem olhar de destruição,
Já tem a constrição
Feita sob medida:
Apenas massageia
O ego do dono.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Dá pra ele

Mas cê dá pra ele.
É fatal essa atração carnal...
Eu, um homem,
Você, um senhor,
Mas não faremos dor,
Seu marido te dá seu calor,
E por amor:
Eu deixo
Você escolher!
Mas posso ser hoje:
Uma traição...
A que você escolher,
Posso entrar nesse trio?
Não sinta frio,
Sinta-me,
Não quero roubar seu altar,
Mas por hoje nosso sexo
Pode ser animal!
Guarde seu amor conjugal,
Será meu pau e seu pau.
Depois:
Cê volta.
Depois:
Dá pra ele.